quinta-feira, 13 de junho de 2013

Regulação Neural da Ventilação

Vamos começar com uma discussão fisiológica de algo que parece óbvio. Porque ao, trancar o nariz e provocar a apnéia, preciso em dado momento soltá-lo e respirar?

A resposta fisiológica é razoavelmente simples. Ao bloquear o fluxo respiratório não interrompemos os batimentos cardíacos e portanto o sangue permanece circulando. Se o sangue está passando pelos alvéolos pulmonares, ele está sofrendo troca gasosa. Como não há oxigênio, aumenta a pressão de Co2 e ele passa a barreira hematoencefálica do bulbo, encontrando água. A água reage com o Co2 formando H2Co3 que dissocia-se, liberando H+ e HCo3, tornando todo o meio mais ácido e estimulando a oxigenação. É o momento de soltar o dedo do nariz.

E como posso aumentar o Co2 no sangue? Na produção de lactato há liberação de H+ que é tamponado por HCo3, formando H2Co3. Esse bicarbonato é metabolizado pela hemácia que contém a enzima anidrase carbônica, responsável pela dissociação de H2Co3 em H2O e Co2. Assim, quanto mais lactato produzido, mas H+ circulante, mais H2Co3 e mais Co2 e quanto maior a quantidade de Co2, maior será sua pressão. Veja o gráfico:


O gráfico parece complicado, mas vamos descomplicar, acalme-se. No eixo x, 1º e 2º limiar referem-se a [LA] e o comportamento de sua respectiva curva já foi estudado nos primeiros posts deste blog (no 1º limiar a produção de [LA] aumenta, mas o metabolismo não aumenta na mesma proporção. Já no 2º limiar há saturação do metabolismo e o [LA] aumenta de forma exagerada).

Muito bem, a acidez do meio é proporcional ao metabolismo de [LA] pela liberação de H+. Assim, a curva de PH e de [LA] é inversamente proporcional.

Com o exercício físico o volume de Co2 (VCo2) aumenta não só pelo acompanhamento do aumento do volume de O2 (VO2) em razão da troca gasosa. O CO2 também é usado no tamponamento do H+ resultante do lactato. Com o aumento do volume de Co2 para tamponamento a pressão de Co2 deveria aumentar, mas não aumenta porque o volume expiratório (VE) é crescente, eliminando do organismo o Co2 da troca gasosa e mantendo a pressão estável.

No entanto, essas curvas não seguem indefinidamente essas tendências. O Vo2 tem limite fisiológico e atinge um platô máximo, é o limiar ventilatório. A ventilação excessiva aqui relaciona-se diretamente com a maior produção de dióxido de carbono a partir do tamponamento do lactato que acumula-se em seu segundo limiar pelo mecanismo anaeróbio. Assim, VE permanece crescente devido à necessidade de expiração do Co2 acumulado e, como a expiração é intensa e Vo2 permanece estável - bem como o VCo2 associado na troca gasosa - a PCO2 começa a cair.

Detalhe: o ponto em que o VCo2 aumenta desproporcionalmente pelo tamponamento de H+ é chamado de V. Slope.



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